Blog dos alunos da turma III da Especialização em Semiótica Aplicada à Literatura e Áreas Afins da Universidade Estadual do Ceará (UECE)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Memória de Aula 02 por Ulisses Holanda de Oliveira


Especialização em Semiótica Aplicada à Literatura e Áreas Afins
Ulisses Holanda de Oliveira
Professora Socorro Acioli

   Antes de minhas reflexões acerca da aula do 2º encontro, leia, por gentileza, este texto e diga que tipo de narrador você encontra nele. É um texto do gênero piada. Divirta-se!

Um deputado está andando tranqüilamente quando é atropelado e morre.    A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.
-'Bem-vindo ao Paraíso!'; diz São Pedro. Antes que você entre, há um probleminha.
Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que  fazer com você.
-'Não vejo problema, é só me deixar entrar', diz o antigo  deputado.
-'Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte:
Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.
-'Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o deputado.
-'Desculpe, mas temos as nossas regras. '
Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o  Inferno.  A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe. Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os   quais havia trabalhado.
Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em  que ficaram ricos às custas do povo.
Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar.
Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas.
Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora.
Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe.
Ele sobe, sobe, sobe e porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por  ele.
Agora é a vez de visitar o Paraíso.
Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que  andam de nuvem em  nuvem, tocando harpas e cantando.
Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.
-' E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso.   Agora escolha a sua casa eterna.' Ele pensa um minuto e responde:
- 'Olha, eu nunca pensei .. O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar  melhor no Inferno.'
Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o  Inferno.
A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo.
Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos.  O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do deputado.
- ' Não estou entendendo', - gagueja o deputado - 'Ontem mesmo eu estive aqui  e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!!'
O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:
-'Ontem estávamos em campanha.  Agora, já conseguimos o seu voto...' 
Essa tem que ser repassada  (não quebrem a 'corrente')
     VAMOS FAZER ESSA MENSAGEM CHEGAR AO CONGRESSO NACIONAL... REPASSE PARA TODOS SEUS CORRESPONDENTES... 

   E aí? Já respondeu? Se você disse narrador extradiegético, acertou. O papel do narrador apenas revela a participação ideológica de um certo autor implícito. É muito importante detectar o autor da fala em certos momentos de uma narrativa para se compreender melhor o texto. Mas se analisarmos o texto lido não como uma piada, mas como um texto conhecido como “corrente”? Certamente você diria que dois narradores, aquele primeiro implícito na narrativa, e o segundo, o próprio “autor implícito” na pessoa que enviou o texto. Ideologia, poder na palavra ou guerra na língua? Tudo subjaz à narrativa enquanto propulsora de uma imagem/mensagem/discurso.

   No texto literário, muita vez, a narrativa se organiza do ponto de vista de um sujeito que não pode ser confundido com o autor do texto, mesmo que muita vez o seja.É uma outra voz.  A polifonia de Backtine nos diz muito sobre essas vozes. Bom, professora, paro por aqui, porque não quero me alongar tanto. Adorei a segunda aula muito mais do que a primeira e espero a terceira. Se viajei de novo peço desculpas.

Abraço,
Ulisses Holanda

Memória de Aula 02 por Vânia Tajra


Disciplina: Teoria Literária
Professora: Socorro Acioli
Aluno: Vânia Tajra

AULA 02: TEORIA DA NARRATIVA

Começamos esse segundo encontro relembrando conceitos de literatura e analisando dentro de uma sociedade diversificada, o que caracterizava um texto literário. Para melhor ativar minha memória, caminhei nas minhas pesquisas e buscas e pude concluir que a definição de literatura está amplamente ligada à idéia de estética. Vimos em sala de aula que algo é literário “quando causa surpresa” ou estranhamento. Na linguagem universal da literatura, significa dizer que um texto é literário quando provoca um efeito estético e quando provoca catarse. Nesse momento precisamos fazer referência à obra A Poética, de Aristóteles, que abre espaço para o estudo da tragédia e dela destaca pontos fundamentais de um processo literário, tais como verossimilhança, catarse e mimesi...

A partir desse contexto começamos a visualizar um “bom texto literário”. O que seria? Qual a sua estruturação? Como fundamentá-lo? Depois de várias reflexões, concluímos que um bom texto literário é aquele que mostra um propósito, ou seja trabalha com aspectos conotativos, na esperança de causar efeitos no receptor. 

“Um bom texto literário é, portanto, aquele que pretende emocionar e que, para isso, emprega a lingua com liberdade e beleza, utilizando-se muitas vezes do sentido metafórico das  palavras”

Partindo desse ponto, chegamos a nomes de alguns autores nacionais e internacionais, e através de posicionamentos avaliamos o papel do “best seller”, sua natureza, seu conteúdo e principalmente sua qualidade.

Thalita Rebouças, uma nova escritora brasileira e autora de uma série de livros que vêm encantando jovens, foi um dos nomes citados. Através das suas obras “Fala Sério...” e “Tudo por um...” questionamos o que leva um livro a se tornar “best seller”.

Como jornalista, não pude deixar de “entrevistar” minha filha de 13 anos sobre esse novo “fenômeno” da literatura brasileira e que eu, só vim “perceber” na minha aula de especialização...

Laís, a minha filha, entrou no quarto saltitante... Me falava de alguma coisa que não prestei atenção, já que estava envolvida nas minhas pesquisas de aula... e visitando o site da escritora Thalita Rebouças. Perguntei se ela, Laís, já tinha ouvido falar em uma série de livros chamada “Fala Sério...” . Um sorriso se estampou no seu rostinho mimoso, ainda de aparelhos nos dentes... Nem precisei falar o nome do autor do livro. Ela, já sabia de cor. E tinha lido sim, na casa de uma amiguinha, de sua mesma idade. Perguntei o que fazia “aquele” livro tão especial. Laís, disse que o livro era “legal e interessante” porque repassava situações do dia-a-dia, de forma exagerada, o que tornava o conteúdo engraçado e não enfadonho. Acrescentou ainda que lendo aquele livro, via um reflexo da sua vida de adolescente, não em todas as situações, mas em muitas delas. Caracterizou a linguagem como fácil e “acessível” e quando questionei o que de fato, tornava aquele livro tão “espetacular” ao invés do livro A Pata da Gazela, de autoria do romancista José de Alencar,  que ela está obrigada a ler pela escola, ela foi enfática: “a realidada da linguagem, o uso de gírias e a proximidade dos meios eletrônicos, utilizadas no livro, fazem com que eu me sinta mais próxima dessa realidade.”

Como conclusão, achei que os livros da Thalita Rebouças, despertam no receptor uma projeção do seu próprio “eu”. Fui buscar então, explicações sobre esse fenômeno, em autores consagrados e cheguei ao livro “Simulacros e Simulações”, escrito em 1981, por Jean Baudrillard, sociólogo e filósofo francês. Nesta obra, Baudrillard fala das três ordens dos simulacros: a imitação, a produção, ou a cópia mecânica e por fim a simulação, onde interagimos com representações, símbolos,  imagens, ícones, achando que é o original. E fiquei a me questionar... será que o que torna o livro um best seller é essa relação de proximidade com o receptor?

Conversamos também sobre o livro “Comer, Rezar, Amar”... da escritora americana  Elizabeth Gilberth. O livro, já na contra-capa diz o seguinte: “A busca de uma mulher por todas as coisas da vida na Itália, na Índia e na Indonésia... Seja também a heroína de sua própria jornada”. Novamente me fiz questionamentos estranhos... mas lembrei que li o livro...e pasmem... gostei!!! Fui até o final... e me encantei com cada detalhe descrito de forma simples, sem a complexidade dos grandes autores e principalmente, pela identificação de alguns  momentos pessoais...

O que faz de livros como esse “best sellers”? Talvez o fato do livro ser popular entre os leitores, incluido na lista dos mais vendidos e por isso, considerado, “literatura de massa”, levando em consideração, é claro, o consumo. Verdade ou não... fazemos parte desse contexto...

No segundo momento da aula discutimos a questão da Teoria da Narrativa. Mas o que é narrativa? Alguns colegas questionaram diferenças entre narrativa e narratividade... comentários, que confesso, passaram despercebidos por mim... já que naquele momento, estava caminhando por outros caminhos... quem sabe a narrativa da minha vida???

Mas como num passe de mágica, Ulisses, se fez presente, e numa de suas “engraçadas”, mas sempre inteligentes tomadas, voltei à realidade da narrativa e sua análise estrututal. E lá vamos nós, percorrendo o discurso e entendendo que narrativa, segundo Edward Forest Morgan,  nada mais é que “ todo discurso que nos apresenta uma história imaginária como se fosse real”.

Para alguns autores entretanto, a narrativa literária costuma se apresentar em forma de prosa, mas pode tembém ser feita em versos. E lendo alguns autores, constato que existe sim, uma diferença entre narrativa e narratividade. Na Wikipedia, (não comentem a fonte), vi que a partir do século XX surge uma corrente baseada no estruturalismo, que começa a trabalhar a Teoria Semiótica da Narrativa que porpõe-se estudar a narratividade em geral... Esse grupo foi encabeçado por Roland Barthes e os estudos pretendiam encontrar uma “gramática” da narrativa, mais ou menos como Saussare encontrou para a fala. Roland Barthes, mestre no estudo da narrativa, afirma que "a narrativa está presente em todos os tempos, em todos os lugares, em todas as sociedades, começa com a própria história da humanidade.

“É fruto do génio do narrador ou possui em comum com outras narrativas uma estrutura acessível à análise”.

Confesso que me senti meio perdida nesse contexto... Passamos então de forma muito rápida pelos modos de presença do narrador num texto literário. Percebi que temos o Narrador Pressuposto e o Narrador Personagem. O pressuposto é aquele que não aparece, obviamente, não tem nome. Essa categoria se subdivide em narrador onisciente neutro, que é considerado utópico, já que praticamente não existe; onisciente intruso, onde encontramos o narrador que analisa; onisciente seletivo, onde enquadra-se o escritor Saramago e narrador-câmera, que mostra tudo o que é possível ser mostrado. Do narrador personagem, confesso, entendi pouco, ou quase nada, mas percebi que ele é o principal da história. Não saberia falar das suas subdivisões, a não ser que pesquisasse, coisa que no momento... não quero fazer.

Não pontuamos as características, mas através da apostila, pudemos chegar ao final da aula. Recebemos o livro “Os Maias”, e analisamos o seu narrador. Concluímos então ser ele, um narrador pressuposto onisciente intruso. Durante seu relato no livro, por várias vezes ele interrompeu a narração dos fatos ou a decsrição de ambientes para tecer considerações e emitir julgamentos de valor...

Ouvimos as demais considerações dos colegas com relação aos livros analisados e assim... nos despedimos, em busca do terceiro capítulo da “nossa história”.

Memória de Aula 02 por Ana Germana Pontes Rodrigues


AULA 2 – 25/09/10
ALUNA: Ana Germana Pontes Rodrigues

            O texto a ser discutido nesta aula é: “Elementos estruturais da narrativa”, de Salvatore D’Onofre. Inicialmente, a professora iniciou uma leitura de um outro texto que falava sobre o que deveria conter num texto literário. Elementos, como conotação, novidade (surpresa, estranhamento), elaboração de linguagem – e não repetição de outras linguagens já existentes, como a linguagem de adolescentes sendo utilizada para falar de diversos assuntos, mas sem um objetivo específico para tal uso (a exemplo da escritora de livros infanto-juvenis Talita Rebouças) – e o fato de não haver total correspondência entre o texto e o extra-texto – pois senão não seria literatura/arte, mas sim, história – foram citados. Além disso, sobre o fazer poético, fora citado também o exemplo do poema “Autopsicografia”, de Fernando Pessoa.

            Outra discussão que achei bastante relevante durante a aula foi a do uso de quadrinhos para ilustrar uma obra clássica. Não opinei publicamente sobre o assunto, no momento da aula, mas acho interessante a utilização de um outro gênero para retratar uma obra clássica. Não só o gênero quadrinhos, como também o cordel, a música e outros para versar sobre um romance, por exemplo, pois, ao utilizar um novo gênero, não estaremos reduzindo a obra ou dispensando a sua leitura no original (completa), mas sim, estaríamos fazendo uma espécie de “referência” e incentivando os leitores a buscarem a obra inspiradora. É claro que é importante também deixar claro que existem diferenças entre as duas obras, principalmente quando fazemos esse trabalho em sala de aula com alunos de Ensinos Fundamental e Médio – opinião expressada pela professora Socorro. Também concordo que o uso de “versões reduzidas” de uma obra clássica, produzidas no mesmo gênero, não sejam uma boa escolha, porque estas, sim, poderiam “ferir” a “mensagem” original e desestimular a leitura completa.

            No final da aula, analisamos, em equipe, os tipos de narrador presentes nas obras que nos foram entregues. Dos que consegui anotar:
·         Narrador onisciente intruso: Cem Anos de Solidão e Do amor e Outros Demônios, de Gabriel García Marquéz, O Quinze, de Rachel de Queiroz, Os Maias, de Eça de Queiroz, O Quarto de Jacob, de Virgínia Woolf, As Intermitências da Morte, de José Saramago.

·         Narrador onisciente seletivo: Jangada de Pedra, de José Saramago.

·         Narrador-protagonista: Memorial de Maria Moura, de Rachel de Queiroz;

·         Narrador-testemunha: A Casa, de Natércia Campos.

Confesso que ainda não decidi meu objeto de estudo, mas sinto que nesta disciplina conseguirei achá-lo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Memória de Aula 01 por Lindolfo Júnior


DISCIPLINA: TEORIA LITERÁRIA
ALUNO: LINDOLFO JÚNIOR

MÉMORIA DE AULA 01

            Segundo Roger Samuel a Teoria Literária é um conjunto de conceitos que se tem sobre o que seja literatura. Pra mim a primeira tarefa da teoria da literatura é saber o que é a literatura, se formos ver até onde se estende o seu campo de estudo temos de incluir muitos títulos de naturezas diferentes, de diversas áreas , pois a literatura se relaciona com tudo que há no mundo, se relaciona com tudo que é humano. A Teoria Literária faz uma reflexão sobre a natureza dos textos, sobre seu modo de leitura, uma análise crítica embasada e não auto-biográfica, sendo assim, sem a teoria: a literatura é o óbvio.

            Para galgar uma leitura crítica é necessário que o meu objeto de leitura seja transformado numa problematização, destilando questionamentos, resignificando trechos, num aspiral-problema construo uma leitura do mundo não mais comun e sim especializada ( Crítica especializada ). Em 1963, um crítico francês de nome Roland Barthes disse: a crítica faz a descoberta, verificação e validade dos fatos, a busca dos sentidos, as semelhanças e diferenças, os modelos. A crítica deve tornar a obra clara, verificando os sistemas e as funções. Então, para compreender a literatura do ponto de vista cultural , há de se fazerem certas distinções e algumas observações. Ao longo do tempo, os gregos já preconizavam que era necessário distinguir a literatura da não-literatura pra estabelecer a realidade de um determinado objeto e sua necessidade, isto é, os objetos são definidos não pelo que são, mas para o que servem. Tudo na vida social é visto com respeito a um determinado fim. Todos os produtos humanos e todas as ações humanas ( o trabalho ) estão assim definidos, concatenando com a literatura gerir essa dualidade torna-se fundamental para iluminar os processos evolutivos em que a crítica literária sofreu aos longos dos tempos, esperimentando e filtrando, é importante a teoria existir pra iluminar as ideias dos pesquisadores, pra sinalizar um novo horizonte de expectativas, pro processo de formação de leitores-críticos ampliar-se dentro do novo contexto de leitura do mundo.

            Sou um leitor que mergulha nas mais profundas águas dos textos e subitamente tenho afasias e a Literatura informa aquilo que esqueço, ou seja, a própria realidade. Esqueço a realidade porque admito-a como natural. Naturalizo-a. A realidade se informa pela Literatura, como se fosse novidade. A realidade é redescoberta, recriada pela arte. Como se fosse a primeira vez que a encontrasse. Descobrir a realidade, desvendá-la do véu de alienação com que a encobrimos isso nos acorda para o presente concreto. Eis uma das funções da Teoria Literária: A Iluminação.    

sábado, 2 de outubro de 2010

Memória de Aula 01 por Vânia Tajra

Disciplina: Teoria Literária
Professora: Socorro Acioli
Aluno: Vânia Tajra

AULA 01: CONCEITOS DE LITERATURA


A concepção inicial do capítulo estudado vem buscar conceitos explicativos a cerca dos temas literatura e manifestações literárias, para mais tarde trabalhar a formação da literatura brasileira como síntese de tendências universalistas e particularistas.


Para melhor entendermos o processo, já que não fazemos parte dessa contextualização, fomos buscar o significado da palavra literatura, sua origem, evolução, e assim decodificar as diversas visões interpretativas desse termo.

A palavra literatura vem do latim “litteris” que significa “Letras” e está associada à idéia de estética.

As primeiras obras da História que se tem informação são as dos poemas atribuídas a Homero: Ilíada e Odisséia. Os dois poemas narram as aventuras do herói Ulisses e a Guerra de Tróia. Na Grécia Antiga os principais poetas foram: Píndaro, Safo e Anacreonte. Esopo ficou conhecido por suas crônicas e Heródoto, o primeiro historiador, por ter escrito a história da Grécia em seu tempo.

Ainda na época Antes de Cristo, a literatura se faz presente na Roma Antiga, através do escritores Lucrécio ( A Natureza das Coisas), Catulo e Cícero. Nessa época surgem as poesias líricas, com Horácio e Ovídio e as épicas, com Virgílio, autor de Eneida. Sêneca, Petrônio e Apuleio também são poetas da época.

Nos séculos III a X D.C. com o Feudalismo, a igreja católica se posiciona e passa a controlar a produção cultural e só à partir do século X começam a surgir os primeiros poemas. Grande parte deles narrava
assuntos ligados a guerras e fatos heróicos.

No século XI surgem as Canções de Gesta, que eram narrativas anônimas, de tradição oral e que contavam as aventuras de guerras e as Lendas Arturianas.

Do Século XII ao Século XIV, é a vez do período histórico do Trovadorismo e das poesias líricas palacianas. Nesse contexto, “o amor impossível e platônico transforma o trovador num vassalo da mulher amada, exemplo do amor cortês”.

O período seguinte, que vai do Século XIV ao XVI, fica conhecido como Humanismo Renascentista. Esse período é caracterizado pela literatura religiosa, mesclada por aspectos do Renascimento. Destacam-se Dante Alighiere, autor da Divina Comédia, Giovanni Bocaccio e Francesco Petrarca, na Itália. Em Portugal, temos o poeta Gil Vicente, autor de A Farsa de Inês Pereira.

A partir do Século XVI, começa o período do Classicismo. Essa época tenta resgatar as formas e valores da cultura greco-romana. Aqui surge, Luis de Camões, autor de Os Lusíadas. O livro narra as aventuras marítimas da época dos descobrimentos. Também é desta época William Shakespeare, que se destaca na poesia lírica e no teatro. Miguel de Cervantes, criador do personagem Dom Quixote e seu escudeiro, no livro Dom Quixote de La Mancha, também faz parte dessa época.

No Século XVII destaca-se a oratória clássica que de certa forma fundamenta o Neoclassismo que surge no século seguinte. O Neoclassismo caracteriza-se pela valorização da razão e da ciência. È através dessas linhas de pensamentos que os estudiosos da época procuravam chegar ao conhecimento humano.

O Século XIX traz o Romantismo com a valorização da fantasia e do sentimento. Aqui também já começa a aparecer a liberdade de criação. Como conseqüência, surgem as obras com subjetivismo.

Depois de analisar vários conceitos chegamos à conclusão que a literatura muda o foco do interesse pelas relações entre o homem e o mundo para uma crítica da natureza da própria ficção.

Por literatura entendemos então,  “um sistema de obras ligadas por denominadores comuns, que permitem reconhecer as notas dominantes de uma fase.”

Segundo Candido, no texto Literatura como Sistema, esses pontos comuns reúnem características internas de uma sociedade em uma determinada época e também pontos de suas naturezas social e psíquica.

“Estes denominadores são, além das características internas, (língua, temas, imagens), certos elementos de natureza social e psíquica, embora literalmente organizados, que se manifestam historicamente e fazem da literatura aspecto orgânico da civilização”

Dentro dessa premissa, um texto é considerado literário quando produz um efeito estético e quando provoca catarse, (purificação das emoções), o efeito de definição aristotélica, no receptor.
Faz-se necessário referenciar a obra A Poética, de Aristóteles, escrita entre os 334 a.C. e 330 a. C. A Poética, de Aristóteles, é um conjunto de anotações das aulas de Aristóteles sobre o tema das poesias e da arte em sua época e de onde foram retiradas as concepções básicas de todo o processo literário.

“Como disciplina teórica, a poética é o estudo das obras literárias, particularmente as narrativas, que visa esclarecer suas características gerais, a sua literalidade, criando conceitos que possam ser generalizados para o entendimento da construção de outras obras”.

Segundo alguns autores, na obra A Poética, Aristóteles abre espaço para o estudo da tragédia e dela destaca noções fundamentais para considerações teóricas posteriores. É a partir daí que começam a ser feitas considerações à cerca da distinção entre mimesis (imitação), verossimilhança (qualidade que faz a arte parecer verdadeira, apesar de todas as coisas impossíveis que ela possa dizer) e catarse (meio através do qual o homem purifica sua alma).

Memória de Aula 01 por Thalyta Nascimento Nunes

Memória de aula – Aula 1

A Teoria Literária se encarrega de estudar os vários métodos de análise das obras literárias. Durante a primeira aula da disciplina, tivemos uma introdução que mostrava uma linha do tempo em que observamos de maneira sucinta as transformações de pensamento acerca do fazer literário e as correntes de estudo surgidas a partir daí. Vimos que os primeiros textos que se preocuparam com o fazer literário remontam à Grécia Antiga, com Horácio, Aristóteles e outros autores que representam um marco na história literária. Eles realizaram a chamada teoria Preceptística, a qual visava ensinar regras para se escrever bem. Além disso, se destaca o cunho moral dessa atividade, já que alguns desses autores determinavam que o texto deveria ter caráter educativo, portanto não seria adequado tratar de assuntos que poderiam ser maléficos à formação das pessoas, sobretudo das crianças. Há também os que são considerados os pioneiros da crítica, como Homero, por exemplo, que através de seus escritos realizava uma espécie de metalinguagem literária, preocupando-se em certos momentos de sua poética em refletir sobre os conceitos literários.

Depois desse momento, a crítica literária propriamente dita começou a se delinear, ou seja, passou a se voltar especificamente para esse fim. No início, a Teoria Literária se ocupava em achar na biografia do autor as justificativas para explicar o próprio texto. Além disso, existia uma corrente voltada à crítica impressionista, segundo a qual a análise do texto baseava-se nas sensações e até lembranças que o texto despertava naquele leitor-crítico literário. Essas duas modalidades de crítica atualmente estão mais relacionadas ao leitor comum, sendo que o leitor especializado deve se basear em outros critérios para realizar o estudo do texto, de acordo com outras correntes que surgiram com o passar do tempo e se voltaram mais para o texto propriamente dito, realizando também estudos aliados a outras disciplinas, como por exemplo, a Psicologia, para uma compreensão mais ampla das obras.

De uma maneira geral, os métodos de análise crítica podem ser agrupados em três divisões diferentes, cada qual evidenciando um aspecto relacionado ao texto. A primeira divisão, com desenvolvimento no século XIV, é centrada no autor e dela fazem parte a corrente Biográfica e a Impressionista. Na segunda, do século XX, se enquadram o Estruturalismo, a Semiótica, a Estilística, o Formalismo, em que a obra era o centro das observações. A última, também do século XX, abrange a Estética da Recepção e os Estudos Culturalistas, aquela privilegiando o leitor e os últimos, o contexto.

Pessoalmente, pretendo utilizar como método de análise as correntes mais estruturalistas, do século XX, dentre as quais se situa a Semiótica. Porém, se for coerente e necessário poderei também utilizar métodos centrados no contexto, como os Estudos Culturalistas.

É importante ressaltar que o estudo histórico da Teoria Literária permite uma visão mais crítica, mais consciente, nos auxiliando como profissionais a desvincular nossas atitudes de leitor comum do ponto de vista de leitores especializados, para que não caiamos na tentação de reduzir o texto a possíveis ou hipotéticas relações vida do autor - nossa vida - texto. Este é apenas um nível de análise, por vezes válido e esclarecedor, porém de certa forma limitado. Acima disso tudo, é preciso ter em mente que o estudo de texto nos dias atuais deve possuir um embasamento teórico bem definido, possibilitando investigar todo o trabalho de linguagem, de construção de sentidos.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Memória de Aula 01 por Ana Germana Pontes Rodrigues

AULA 1 – 18/09/10 – (FALTEI)
Aluna: Ana Germana Pontes Rodrigues.

1. LITERATURA COMO SISTEMA – Antonio Candido
           Este capítulo norteia o leitor do que virá no restante do livro. Inicialmente, o autor diz que abordará tanto a tendência universalista quanto as particularistas da literatura brasileira.
           Para conceituar a palavra que dá título ao seu livro, “Formação” da Literatura Brasileira, o autor distingue “manifestações literárias” de “literatura” propriamente dita. Esta, para ele, é “um sistema de obras ligadas por denominadores comuns, que permitem conhecer as notas dominantes duma fase. Estes denominadores são [...] certos elementos de natureza social e psíquica, embora literariamente organizados, que se manifestam historicamente e fazem da literatura aspecto orgânico da civilização.” (p. 23)
            No entanto, o que mais me chamou atenção ao conceito de literatura foi a seguinte passagem: “um tipo de comunicação inter-humana, a literatura, que aparece sob este ângulo como sistema simbólico, por meio do qual as veleidades mais profundas do indivíduo se transformam em elementos de contato entre os homens, e de interpretação das diferentes esferas da realidade.” (p. 23) – por tratar a literatura como uma comunicação entre os homens e como uma forma de o indivíduo expressar suas ideias, seus sentimentos mais profundos, que acaba se transformando num elo entre diversas pessoas.
            O autor também fala de outro elemento necessário à literatura como fenômeno de civilização: a tradição – “conjunto de elementos transmitidos, formando padrões que se impõem ao pensamento ou ao comportamento” (p. 24), que, de fato, acontece em várias sociedades e acaba justificando a abordagem histórica do presente livro.
            Já em “manifestações literárias” essa organização desses elementos não é tão nítida, pois, em geral, elas acontecem em fases iniciais, o que, no entanto, não é empecilho para que surjam obras de valor.
            Então, para distinguir um conceito do outro, o autor considera necessário verificar quando e como se definiu uma continuidade ininterrupta de obras e autores, que estivessem cientes de integrarem um processo de formação literária. Na abordagem deste livro, isso aconteceu, no Brasil, a partir dos árcades mineiros, as últimas academias e certos intelectuais ilustrados.
            Este capítulo de apresentação acaba causando vontade de continuar a ler a obra completa.

2. CONCEITOS DE LEITOR / INTERPRETAÇÃO / CRÍTICA

            O texto de Márcio Selligman, por sua vez, trata de outros conceitos: leitor, interpretação e crítica.

            Ele diferencia 6 níveis de leitura da noção de leitor e, no final, dá um conceito de ideal de leitor da literatura, que foi o que mais me chamou atenção: “[...] é sem dúvida o leitor-crítico, o leitor que tanto se deixa transformar pelo texto, como também reage a ele, consumando-o e transformando-o. É esse leitor ativo que está na base das inovações da cultura.” (p. 1)
            Com base nisso, ele diz que “toda leitura é releitura e apropriação”. E que a interpretação tanto não é uma verdade pontual do discurso analisado como também nem toda e qualquer interpretação é válida. Ela é, antes de tudo, um processo infinito e multideterminado por fatores estéticos, políticos e culturais, ao mesmo tempo que aquele que interpreta deve assumir um compromisso duplo: com o “texto/discurso” e com o seu presente, desfilando seus argumentos diante do público para sustentar os pontos de vista definidos. Além disso, “o embate em torno de textos é também um embate sobre a História e as nossas vidas. A interpretação transita constantemente entre texto e contexto: o texto deve ser lido como uma resposta ao contexto da criação da obra” (p. 3). E ambos não podem ser estabelecidos de modo completo, pois “um germina e determina o outro.”
            Para compor uma crítica, Selligman ressalta que Teoria Literária e História da Literatura são fundamentais como base para o conhecimento da intertextualidade literária, que embasa o texto, e da tradição da leitura crítica que originou inúmeros conceitos. O crítico pode tanto dissolver o texto, cortá-lo e analisar as suas partes, quanto reconstruir o texto, associando-o a tradições, autores, fatos históricos. A filologia também é uma disciplina fundamental para a crítica, pois esta ciência dedica-se “ao estabelecimento das fontes do texto, das suas várias versões e transformações ao longo do tempo” (p. 3).
            Portanto, o papel do crítico: “‘agente de comunicação’ da obra literária” (p. 4). Ele deve estar atento a todos os níveis que compõem uma obra literária: fonético, visual, sintático, conceitual, ideológico, estético, poetológico, etc., procurando traduzir, atualizar essa obra, recriando-a ao confrontá-la com outros textos, outros tempos, espaços e imagens.

            Enfim, o primeiro texto instiga a leitura do restante do livro sobre a formação da literatura brasileira, e o segundo corrobora a necessidade desse conhecimento como um dos elementos fundamentais para a composição de uma crítica literária. Acredito que a leitura do livro de Antonio Candido poderá ser bastante útil para a produção (e escolha!) do meu tema de pesquisa, cuja composição deverá ser bastante crítica.